Professor Joaquim

Blog de Matemática

PRÉ-MEDICINA

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Nenhum dos 40 aprovados em Medicina se matriculou na Ufac

http://blogdaamazonia.blog.terra.com.br/2012/02/07/nenhum-dos-40-aprovados-em-medicina-se-matriculou-na-ufac/

 

A Universidade Federal do Acre (Ufac) vai divulgar nesta quarta-feira (8) a segunda lista de chamada na tentativa de preencher as vagas no curso de Medicina. Na sexta-feira (3), quando encerrou o prazo para matrícula, nenhum dos 40 estudantes aprovados no processo seletivo apareceu para se matricular no curso.

No processo seletivo do curso mais concorrido da Ufac, feito com base nas notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), apenas dois acreanos conseguiram ser aprovados. Ambos preferiram se matricular em universidades no Ceará e Pará.

Dos 1.620 candidatos aprovados para o campus da capital Rio Branco, matricularam-se 1.024 alunos, o equivalente a 63,21 % do total. No campus de Cruzeiro do Sul, no extremo-oeste do país, matricularam-se 292 estudantes, o que corresponde a 67,91 % das 430 vagas disponíveis.

O vice-reitor da Ufac, Pascoal Torres Muniz, esperava que ao menos 35 vagas em Medicina seriam preenchidas após a primeira chamada.

– Nossa seleção foi nacional. Os alunos tiveram opção de concorrer a duas vagas pelo pelo Sisu, mais a da Ufac como bônus. O problema foi a Ufac ter feito desnecessariamente um processo seletivo próprio. Vamos chamar 40 na quarta, mas é provável que não vamos conseguir preencher as vagas. Caso isso aconteça, vamos proceder a terceira ou quarta chamadas, de dois em dois dias, sempre com 40 pessoas na lista – afirma.

O curso de Medicina, que dura seis anos, é ministrado no campus da Ufac em Rio Branco. A maioria dos alunos é oriunda de outros Estados.

– Esses alunos têm, em média, 24 anos de idade. Participaram durante anos de cursos preparatórios com carga horária de 40 horas semanais. A sociedade acreana não oferece tais oportunidades e geralmente busca o caminho mais curto, que é enviar os filhos para estudar no exterior, principalmente na Bolívia – avalia.

Veja a entrevista com o vice-reitor:

BLOG DA AMAZÔNIA – Como explica essa situação inusitada na Ufac, envolvendo um curso tão concorrido no país?

PASCOAL TORRES MUNIZ – A seleção que utilizou para escolher calouros para 2012 tem gerado debates. Existem dois grandes problemas. O primeiro, é a oferta de vagas ser menor que a procura, de modo que precisa ser adotado um processo de seleção; o segundo, é que o processo adotado quase sempre privilegia os candidatos de famílias de melhor nível cultural e maior renda.

Mas isso não é uma realidade específica do Acre. É a realidade brasileira, não?

Sim. Nos últimos cinco anos, a Ufac ampliou suas vagas de 1.070 para 2.050 por ano devido à política de reestruturação e expansão das instituições federais de ensino superior, possibilitando maior acesso e diminuindo a iniquidade, mas sem resolvê-la. Por conta da escassez de vagas, é necessário estabelecer critérios para o preenchimento de vagas disponíveis. Para isso, as universidades federais adotaram como critério o mérito acadêmico dos candidatos, avaliados pelo vestibular ou pelo Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, que é um exame composto por quatro provas divididas em quatro áreas, mais a redação, que tem como objetivo avaliar os alunos e escolas de ensino médio. O Enem tem sido utilizado para seleção no preenchimento das vagas no ensino superior das universidades federais e para acesso às bolsas do MEC para as vagas nas instituições particulares de ensino superior, o Prouni.

Como avalia as diferenças entre o Enem e o vestibular?

As provas do Enem são compostas de questões contextualizadas na vida real e com abrangência mais ampla do currículo nacional do ensino médio. O vestibular focava as disciplinas no lugar das áreas e exigia muito a habilidade de decorar as fórmulas, fatos e datas. Considerando que o principal objetivo da maioria dos alunos do ensino médio é o acesso ao nível superior, a agenda de estudo destes alunos eram os temas e questões do vestibular. Deste modo, os conteúdos das provas do vestibular orientavam o ensino médio do Brasil e do Acre. O MEC apresentou o Enem como alternativa para corrigir a distorção. O Enem é realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. O Inpe tem a competência instalada reconhecida para avaliação em larga escala, diferente da maioria das universidades federais, que tem dificuldades para atender as atividades de ensino, pesquisa e extensão, devido à carência de docentes e técnicos, o que dificulta os gestores das instituições de ensino superior designar pessoas com dedicação exclusiva para esta função, sem prejuízos a outras atividades.

Mas existem muitas dificuldades ainda.

Sim, mas ultimamente o Inep tem celebrado parcerias com as universidades federais para superá-las. Os docentes, por exemplo, indicados pelas universidades, estão trabalhando, a convite do Inep, para consolidar um banco de questões para as provas do Enem, que estão próximas de 100 mil. Essas questões são classificadas por nível de complexidade, todas avaliadas e testadas por equipes do Inep, com assessoria dos docentes das universidades. Diferente da Ufac, onde as provas eram elaboradas por disciplinas, geralmente por um professor doutor. Em 2012, os candidatos após serem avaliados e, com suas notas e respectiva pontuação, conquistada pela participação do exame do Enem, participaram de dois processos seletivos nacionais: o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), gerenciado pelo MEC, no qual as universidades federais oferecem vagas aos alunos que fizeram o Enem e o sistema seletivo da Ufac, que adotou outro procedimento.

O senhor critica o processo de seleção da Ufac, mas ele foi aprovado pelo Conselho Universitário.

Sim, o Conselho Universitário é o colegiado máximo da instituição. É composto de 87 representantes dos Centros, todos os coordenadores dos cursos, representantes dos alunos e técnicos, reitoria e sociedade. No momento da decisão fundamentei a mesma posição. Um dos procedimentos adotados pelo processo seletivo da Ufac e que tem sido questionado é a ponderação das notas por área. Para os candidatos aos cursos de engenharia ou matemática as questões da prova de matemática têm peso três e questões da área de ciências humanas peso um. O inverso ocorreria se o candidato estivesse inscrito para o curso de ciências sociais. Este procedimento é sustentado por um conceito tecnicista com pouca aceitação nos meios educacionais modernos.

Como assim?

Argumenta-se que é importante que os alunos ingressos tenham boa formação em todas as áreas. O candidato ao curso de engenharia deve ter também boa formação na área de humanas. Sem o uso da ponderação os candidatos serão estimulados a estudar com o mesmo interesse todas as disciplinas. Para além do técnico queremos o cidadão culto e erudito. É provável que com a utilização das notas do Enem ou notas do vestibular não seria tão diferente o acesso dos alunos de outros Estados à Ufac. A diferença é que no vestibular o candidato de outro Estado faria uma viagem para fazer a prova. No meu entendimento, o grande problema foi a não adesão da Ufac ao sistema de seleção Sistema de Seleção Unificada, o Sisu. Neste sistema, o aluno pode concorrer em duas opções. Além destas duas opções, puderam concorrer também às vagas da Ufac.

Mas dois acreanos aprovados em medicina preferiram cursar em outros estados.

Tenho alertado sobre isso. Um candidato ao curso de medicina, residente em Fortaleza, com bom nível de preparação, teve a opção pelo Sisu na Universidade Federal do Ceará, em Fortaleza, e outra opção provável para a mesma universidade, em Sobral, ou outro local mais próximo da residência da família. Se a Ufac tivesse integrada ao Sisu, dificilmente este aluno escolheria concorrer às vagas da Ufac, em função da distância. Como o Conselho Universitário decidiu criar um sistema próprio, o mesmo aluno pôde concorrer às duas vagas do Sisu, além da vaga da Ufac. uma proporção dos aprovados na primeira lista da Ufac foram também aprovados nas vagas disponíveis pelo Sisu e nas universidades públicas estaduais e fizeram opção para estudar mais próximo da família, abrindo novas chamadas na Ufac. Para que os candidatos residentes no Acre possam obter mais sucesso nos cursos mais concorridos, em particular no curso de medicina, é necessário mais estudo e perseverança.

Por que o senhor tem dito aos alunos acreanos que é necessário perseverança?

A maioria dos alunos da medicina da Ufac são oriundos de outros Estados e fizeram Enem ou vestibulares durante três ou cinco anos para finalmente conseguir uma vaga. Esses alunos têm, em média, 24 anos de idade. Participaram durante anos de cursos preparatórios com carga horária de 40 horas semanais. A sociedade acreana não oferece tais oportunidades e geralmente busca o caminho mais curto, que é enviar os filhos para estudar no exterior, principalmente na Bolívia.

 

SIMULADO DE LITERATURA

Agora toda semana, teremos um simulado de Literatura para você testar os seus conhecimentos. Resolva com calma e na próxima semana estaremos postando o gabarito para que você possa conferir.

SIMULADO DE LITERATURA – I

GABARITO: 1-A     2-C     3-C     4-B     5-D     6-B     7-A

SIMULADO DE LITERATURA – II

GABARITO: 1-B     2-D     3-A     4-C     5-B

SIMULADO DE LITERATURA – III

Veja também este conto de seu professor Gilson Neves e analise a criatividade desse grande escritor: AULA DE HISTÓRIA

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Uma resposta para “PRÉ-MEDICINA

  1. DIONE DE CÁSSIA SOARES 01/23/2012 às 13:34

    Seria interessante se tivesse o premed noturno, eu gostaria de fazer parte mas como trabalho não é possível.
    Atenciosamente, Dione de Cássia Soares

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