Professor Joaquim

Blog de Matemática

Vestibulares

 

Prova de fogo

Como e quando surgiu o vestibular; as ansiedades e neuroses dos vestibulandos.

Toda virada de ano é tempo de guerra para muitas centenas de milhares de jovens brasileiros. O alvo é um lugar na faculdade, e o campo de batalha, o temido vestibular motivo de mudança de hábitos, de tensão e angústia que as pressões familiares apenas conseguem agravar.

Por Maria Inês Zanchetta

Dezembro e janeiro são meses de vestibular. O exame vestibular é a culminação de meses de esforço, angústia e rotinas alteradas um processo massacrante, desgastante, sofrido, na opinião quase unânime de educadores, psicólogos e estudantes. Mas como selecionar entre tantos candidatos os mais bem preparados, se as vagas são necessariamente menores?

A relação, em média, é de aproximadamente quatro candidatos para cada vaga. Há um decênio a proporção era menor. Em 1976, por exemplo, apenas 2,47 candidatos disputavam uma vaga. Quatro por um é a média nacional. Nos cursos mais concorridos, como Medicina, os números são mais ásperos. Na Universidade Federal do Rio de Janeiro a proporção é de 21 candidatos para cada vaga, e na Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Campinas nada menos que oitenta jovens competem por uma única vaga.

Supõe-se que os vencedores dessa guerra sejam os melhores, mas nem sempre é assim.

Invenção chinesa, os exames surgiram por volta do século X, quando imperadores da dinastia Sung idealizaram um sistema para selecionar futuros funcionários, sem os costumeiros apadrinhamentos. Pela primeira vez, o candidato era submetido a rigorosas provas, com critérios de correção igualmente severos para evitar qualquer tipo de fraude. Foram precisos oito séculos e uma revolução, a francesa para que o sistema de seleção por mérito chegasse à Europa. No Brasil, os exames para selecionar candidatos às faculdades surgiram em 1911. Ao longo dos anos, esses concursos, como eram chamados, foram se modificando.

A professora Irene de Arruda Cardoso, que leciona Sociologia da Educação na Universidade de São Paulo, recorda que até os anos 60 cada curso elaborava seu próprio vestibular. Além das provas dissertativas, havia também um exame oral. Eram formas melhores de avaliação, acredita Irene. Na década de 70, os vestibulares foram unificados, ou seja, passaram a ser elaborados por um único órgão criado para isso. Pretendia-se, assim, evitar que um candidato disputasse mais de uma vaga no mesmo ano. Recentemente, algumas universidades, como a Estadual de Campinas e a Federal do Rio de Janeiro, decidiram elaborar seus próprios vestibulares, abandonando o sistema unificado.

Há vinte anos dirigindo vestibulares, o professor Carlos Alberto Serpa de Oliveira, presidente da Fundação Cesgranrio que realiza os vestibulares unificados do Rio de Janeiro, se declara contra qualquer tipo de vestibular, dissertativo ou por testes de múltipla escolha: Os exames são feitos nas piores condições psicológicas, em três, quatro dias, com um vastíssimo programa que pretende avaliar onze anos de estudo como forma de predizer o sucesso na universidade.

Por isso, há dois anos Serpa vem propondo uma alternativa, que de início seria aplicada em caráter experimental. Durante os três anos do segundo grau, os alunos seriam submetidos a provas semestrais, que cobririam o programa dado naquele período. Ao final do curso, todos teriam então uma nota média e em seguida fariam testes de aptidão verbal, numérica e abstrata, que não dependeriam de conhecimentos adquiridos na escola. Eles teriam peso pelo menos igual ao da média obtida nas avaliações semestrais. E o problema da proporção entre candidatos e vagas? Serpa lembra, a propósito, que praticamente em nenhum país do mundo a universidade está aberta para todos.

De fato, ninguém escapa ao vestibular. Nos Estados Unidos, por exemplo, a seleção se faz por meio das notas obtidas no colegial, mais um teste de aptidão e outro de conhecimentos. Já os jovens alemães são avaliados pelo abitur, como é chamado ali o rigoroso exame. Se não passarem no primeiro vestibular, no segundo só poderão concorrer à metade das vagas. Se derem o azar de não passar de novo, nunca mais poderão disputar uma vaga na universidade. No extremo oposto está a Argentina, onde o governo do presidente Raul Alfonsín acabou com os vestibulares tradicionais. Assim, qualquer estudante que tenha concluído o segundo grau pode entrar no chamado ciclo comum básico da universidade. É aí que a seleção se realiza de fato, pois nele todas as provas são eliminatórias.

Por sua vez, os jovens franceses interessados em entrar nas procuradíssimas Grandes Écoles enfrentam provas severas. Quem preferir a Université, que oferece todo o tipo de formação, deverá ter concluído o baccalaurèat, o exame final dos estudos secundários. Nesse sistema, os que se inscrevem primeiro conseguem candidatar-se às melhores faculdades. Mas, na verdade, a maioria das escolas mais procuradas na França faz seleção disfarçada, escolhendo os estudantes que apresentarem os melhores currículos escolares.

SAIBA COMO SURGIU O VESTIBULAR

Símbolo das dificuldades dos estudantes na entrada da fase adulta, o exame vestibular existe há 90 anos e continua atual.

Parte tão presente da vida de quem sonha ingressar na faculdade, o vestibular, como se conhece hoje, tem uma história curta. Única porta de entrada do ensino superior no Brasil, o exame de admissão tornou-se obrigatório por lei em 1911. O nome vestibular, aplicado à prova, vem de vestíbulo ou ante-sala, segundo decreto de 1915. Na época, as escolas realizavam seus testes em duas etapas. A primeira era escrita e dissertativa, a segunda, oral. Se as vagas oferecidas não fossem preenchidas, havia nova convocação. Esse formato foi usado até meados dos anos 60 do século passado, quando surgiram as questões de múltipla escolha. Processados em computadores, os testes facilitaram a correção, cada vez mais complexa pelo volume crescente de candidatos. A novidade começou no curso de Medicina da Universidade de São Paulo, a USP.
O que apareceu para facilitar trouxe um complicador. O critério de nota mínima liberava aprovados acima do limite de vagas, destinadas aos primeiros colocados. O restante aguardava expansão de oferta. Esses candidatos excedentes organizaram um movimento nacional que o governo resolveu com a Lei no 5540, de 1968. Foi instituído o sistema classificatório, com corte por notas máximas.
Para solucionar o problema da demanda, concentrada na rede pública, o Ministério da Educação permitiu a abertura de numerosas escolas privadas. Hoje são cerca de 900 unidades de ensino superior particulares. Agora, o sistema de ingresso pode voltar a mudar. A Lei de Diretrizes e Bases de 1996 permite que cada escola opte por critérios próprios. A tendência é valorizar a prova dissertativa. Depois da virada do milênio, com quase 3 milhões de inscritos ao ano, o vestibular recupera traços do modelo do início do século.

CRITÉRIOS BÁSICOS:
Todos os estudantes têm o mesmo direito:
– igualdade;
– a base de avaliação dos candidatos é o conhecimento adquirido no Ensino Médio;
– transparência no processo seletivo;
– tem de existir a possibilidade de correção caso haja falhas no sistema de avaliação;
– qualidade e seriedade na elaboração da prova;
– o processo seletivo deve ser reconhecido por inscritos, professores e instituições.

FUTURO DIFERENTE
As opções de processos seletivos diferentes do vestibular:
1) Avaliação pelo histórico escolar do Ensino Médio.
Ex.: Universidade Católica de Pelotas (RS).

2) Sistema misto, com a pontuação do vestibular somada ao desempenho no nível médio.
Ex.: Universidade São Francisco (SP).

3) Provas anuais durante o ensino médio, com média ponderada.
Ex.: UnB.

4) Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Limitado a instituições cadastradas, que reserva uma porcentagem algumas vagas.

A HISTÓRIA DO VESTIBULAR

O acesso aos cursos superiores com o passar dos tempos:

1808 – São instituídos os exames preparatórios para os cursos superiores existentes no Brasil, mas o ingresso torna-se privilégio de colégios de elite a partir de 1837.

1911 – Lei obriga a fazer o exame de admissão, definindo critérios das provas, existência de bancas, calendário e taxas de inscrição.

1915 – De acordo com o Decreto no 11530, as provas passam a chamar-se vestibulares.

1964 – É criada a Fundação Carlos Chagas, para seleção dos candidatos a vestibulares, em São Paulo. Os exames ganham questões de múltipla escolha, processadas em computador.

1968 – Chega ao auge o movimento de excedentes, candidatos aprovados com média mínima, mas sem vagas. Ele é estancado pela Lei no 5540, que substitui o critério de habilitação pelo de classificação.

1970 – Criada a Comissão Nacional do Vestibular Unificado, para organizar o sistema no país. Seis anos depois, a USP unifica seu vestibular com a criação da Fuvest, que realiza sua primeira prova em 1977, avaliando também candidatos das duas outras universidades estaduais, a Unicamp e a Unesp. Na década seguinte, ambas decidem realizar exames separados.

1994 – A Fuvest altera suas provas, ampliando a fase de Conhecimentos Gerais. A primeira é eliminatória.

1996 – Aprovada a nova Lei de Diretrizes e Bases. Nela consta que o ingresso no ensino superior pode ser feito via processo seletivo a critério de cada escola.

Fonte: Fovest Online.

Uma resposta para “Vestibulares

  1. debor dos reis batista borges 06/03/2014 às 22:24

    eu nascin para ser duas coisa que e policia militar e professora de geografia

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